quinta-feira, setembro 09, 2004

Metade, para fins musicais

Eu perco o chão
Eu não acho as palavras
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Eu perco a hora
Eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim

Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos
Eu estou ao meio
Onde será que você está agora?

(A.d.r.i.a.n.a C.a.l.c.a.n.h.o.t.o)

quarta-feira, setembro 08, 2004

Para fins, sempre há um começo intermitente...

Aconteceu uma coisa boa na minha vida esta semana. Tem apenas cinco letras, começa com 'e' e termina com 'k'...meu público invisível; vocês têm apenas cinco segundos para descobrir a tal boa coisa: 1,2,3,4,5...ouvi alguém dizer algo? ÊÊ! A moça de rosa que tá lendo o blog, ouvi dizer o nome correto? Pra todos meus fãs incontestáveis que visitam fielmente meu blog vou deixar como surpresa. A pessoa especial vai contar nos dedinhos, ver se o nome dela tem mesmo cinco letras haha e começa com 'e' e termina com 'k'...é você mesmo! Minha mais nova diversão nos momentos vagos. Acredita que hoje voltei de ônibus pensando nos minutos em que penso sobre tudo que aconteceu? Talvez você também passe por esta mesma situação...olha só hein, 3/4 do meu dia são depositados numa esperança maravilhosa e de saber que, em algum lugar, está este ser...

Não é à toa que o começo deste post é intermitente. Nossa vida tem-se tornado assim, sem início ou sem fim. Daqui pra frente quero apenas crer que falta muito pouco pra te conhecer e um tempo enorme pra te deixar...porque estamos próximos, mesmo com a linha do equador nos dividindo ao meio =)

A tragédia faz parte da alegria no teatro: tragicomédias consistem uma vida real que se propaga. Se o fim está sendo trágico (ou cômico), a peripécia costuma não tardar.

terça-feira, setembro 07, 2004

Diálogo do Eu Sozinho, por fins quaisquer...

- Seu rosto, - tocou-me - não parece o mesmo.
- Invadiram minha face na madrugada...
- E deixaram-na assim, corrompida?

Apenas disse sim com minha cabeça;

- Disseram pra mim - continuei - que os detalhes e as cicatrizes
vão se desmanchar com o tempo e em breve terei de volta o mesmo
rosto de antes...antes da invasão das máculas, entende?
- Compreendo vagamente.
- As coisas...não acontecem assim tão rápido. Ontem, eu me
pensava sozinho, solidão em meus fractais, hoje condeno o remorso
de pensar assim; encontrei em mim um halo de esperança...
- E eu digo que toda catástrofe um mártir revela...

Sorri, eliminando a ponta da exígua tristeza que me velava. Os
sons eram arrulhados por cantigas de ninar, provindas do berçário
não tão distante...

- Ouve a música, - dizia eu - a distância é uma proximidade
avessa, não concorda?
- Concordo e manifesto. Vejo a distância como um simples patamar:
todos sabem que existe, mas ninguém admira o concreto.
- Bela explicação... - retruquei - toda distãncia é perfeitamente
invisível e ao mesmo tempo tátil em desconsideração.
- Sua natureza etérea nos faz duvidar...
- Seu sorriso...também parece afetado.
- Não tanto quanto o seu...parece que uma áurea divina repôs algo
que faltava...acho que deu nome ao seu sorriso...
- Belas palavras, meu amigo. E hoje tem aprendido como ninguém a
beleza das coisas doces.
- Mas o seu rosto, - voltou a tocar-me - que permaneceu tanto
tempo avesso ao mundo, parece regozijar-se...
- É assim mesmo...está chamando atenção dos arredores. Não culpo
meu rosto em manifestar sua alegria; ele vibra o que desejo
vibrar, e tonifica as expressões de acordo com minha alma...quem
seria eu pra burlar toda esta história...
- Um alguém feliz o suficiente pra negar a distãncia...